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17 de dez. de 2007
28 de nov. de 2007
Ausência
"Não", eu disse, "não sinto saudades suas". Ela falou algo que não consegui ouvir. "Fala mais alto", gritei. A ligação estava péssima, talvez fosse a chuva, quem sabe apenas a porcaria do telefone sem fio, mas eu mal conseguia ouvir a sua voz. "Como é que você não sente saudades de mim", ela gritou, "há dois dias você disse que me amava e agora vem com esta história de que não sente saudades de mim". Respirei fundo. Olhei para a cozinha. Sobre a pia havia um prato com um croissant pela metade. Segurei o telefone sem fio com força. "Ontem eu fui ao supermercado. Você disse que deveria comprar água, lembra? Disse no dia em que voltou para sua casa. Pois então eu fui ao supermercado comprar água mineral. E resolvi comprar pão também. Aí aconteceu: eu vi um pacote de croissant. Deu um aperto danado no peito, juro, mas resolvi levar um pacote. Sei lá. Não gosto tanto de croissant como você gosta, mas pensei que se eu comesse um deles nós dois estaríamos dividindo um momento novamente. Quando cheguei em casa e preparei o sanduíche de croissant, não sei o que aconteceu comigo. Não pude comer mais do que a metade. De repente, tudo em mim começou a doer. Doer não é bem a palavra. Tudo em mim começou a, isso, tudo em mim começou a esvaziar. Eu estava ficando vazio. Minha vida parecia não existir mais e sabe por quê? Porque você não estava mais ali ao meu lado comendo comigo um estúpido croissant. O que eu quero dizer com isso? Que muitas coisas perderam o sentido desde o momento em que você saiu por esta porta. Coisas bobas como comer um croissant mas que, ao seu lado, se tornam tão importantes, se tornam vitais até. São estas coisinhas que enchem a minha vida de, sei lá, vida. Então, quando você pergunta se estou com saudades, eu digo não. Não sinto saudades suas. Sinto muito mais que saudades. Eu sinto falta sua. Com saudades a gente consegue conviver. Agora, com a sua ausência eu não vivo. Você faz falta porque você faz parte de mim, entende? Alô?". Ela tentava dizer alguma coisa. Mas eu não ouvia nada. Droga de telefone sem fio. "Mais alto", eu disse. E então eu ouvi seu grito. "Desliga esta porcaria de telefone e vá ao supermercado comprar mais croissants", ela falou. "Quantos você quer?", perguntei. "Quantos você acha que pode comer durante toda sua vida?", ela gritou. E foi assim que minha vida se encheu novamente. Feito um carrinho de supermercado.
André Takeda
25 de dez. de 2003
Flanérie
Era dia de escrever alguma coisa; o prazo havia expirado. Já havia vivido bem os últimos dias. Vivido coisas que sempre lhe renderam boas inspirações.
Foi ao enterro de um pai de família, com filhos adolescentes. Triste, aquilo. Não conhecia o falecido. Lá observou o reencontro de dois irmãos, brigados há décadas, talvez. Emocionante. Todos os olhares se convergiram para o reencontro e o falecido ficou lá, sozinho com a viúva. O olhar dela era fiel. Sua voz, doce e um pouco rouca. Devia estar conhecendo a menopausa, naquela idade. Sua voz traduzia os calores da menopausa, era isso. Ofereceram a ela várias pastilhas, ela não aceitou nenhuma. Nervosa, gritou que não queria pastilhas, e sim o seu marido de volta. Depois pediu desculpas.
Saindo do enterro, havia muita panfletagem. Isso está em todo lugar. Sentou-se à sombra de uma árvore, ali no chão mesmo, para observar a cena. Tinha um lencinho xadrez no bolso, sentou-se sobre ele. Algumas pessoas tristes, outras aliviadas e a moça com os panfletos. A moça ainda conservava alguma beleza. Tinha lá os seus trinta e cinco anos e parecia-se com eles. Vestia-se, portava-se, penteava-se e olhava para as pessoas com o devido peso de uma mulher de trinta e cinco anos. Poderia ter arranjado um emprego melhor, pensava a maioria. Era coisa de fim de semana, mal sabiam eles todos. Por servir a uma causa tão pouco nobre, a mulher desaparecia aos poucos. Ninguém olhava para ela, ela não olhava para ninguém. A viúva também passou reto pela moça. E a moça, pela viúva. Não desejaram força uma à outra, nem nada parecido. Elas não sabiam de nada, afinal. Acabaram os panfletos, a moça esboçou um sorrisinho. Seria aquilo uma falta de respeito? Uma afronta?
A essa altura, ele já saía de debaixo da árvore, e a próxima parada era um atropelamento. As estatísticas apontavam a avenida da Consolação, na altura do número dois mil. Apesar de não confiar em estatísticas, lá estava ele. Foi à banca, comprou uma revista feminina usada, por dois reais, uma oportunidade. Não ligava para revistas temáticas, novas ou usadas, achava que as coisas não mudavam muito. Nem mesmo as notícias. Sentou-se perto de um sinal bastante movimentado. Abria. Fechava. Abria. Fechava. Talvez não fosse aquele lugar. Aquele dia. Estatísticas...
Distraiu-se com uma reportagem sobre a menopausa. Não era interessante, mas a essa altura, distraia-se com qualquer coisa. Opa. Um barulho. Levantou-se, viu um tumulto. Deu uma olhada para o moço da banca, os dois sorriram, deram as mãos e foram juntos assistir ao que havia acontecido. Um atropelamento? Nada! Era batida e com batida ninguém se comove. Na imediata dispersão do tumulto, havia uma grávida. Acompanhou-a com os olhos e lembrou-se de que na revista haviam algumas dicas para uma gravidez mais saudável. Alimentação, exercícios físicos, massagens, oito horas de sono. A moça já devia saber, mas achou de bom tom presenteá-la com a revista. Ela sorriu e deu-lhe um beijinho. O moço da banca buscou outras revistas e deu-as à moça, que sorriu da mesma forma e deu-lhe um beijinho parecido com o primeiro.
Uma buzina do outro lado da avenida. Uma freada, um barulho. Olhou para o moço da banca e disseram juntos que só podia ser atropelamento. Despediram-se da grávida, que já tinha os olhos cheios d'água. Era hormonal, isso. Correu para ver o atropelado. Qual foi a sua surpresa ao ver que a moça da panfletagem estava no meio do tumulto e que agora ela vendia pirulitos vermelhos no sinal. Se ela fosse a atropelada, a surpresa seria menor. A vida tem dessas coisas. Se a atropelada fosse a viúva, aí sim! Aí a surpresa seria muito grande, porque a vida não tem dessas coisas, coisa nenhuma! A viúva já devia estar em casa.
E ele continuava atravessando o tumulto. As pessoas não davam lugar, resistiam como se estivessem no show de seu artista favorito. Gritou então: Licença, eu conheço! Ainda que desacreditadas, as pessoas abriram caminho. Chegando lá, no centro do palco, viu que o atropelado era um cavalo. Não havia alternativa, teve que se jogar sobre o animal e debulhar-se em lágrimas. Era um poeta, afinal. E enquanto chorava, inspirava-se. Alívio instantâneo.
Foi ao enterro de um pai de família, com filhos adolescentes. Triste, aquilo. Não conhecia o falecido. Lá observou o reencontro de dois irmãos, brigados há décadas, talvez. Emocionante. Todos os olhares se convergiram para o reencontro e o falecido ficou lá, sozinho com a viúva. O olhar dela era fiel. Sua voz, doce e um pouco rouca. Devia estar conhecendo a menopausa, naquela idade. Sua voz traduzia os calores da menopausa, era isso. Ofereceram a ela várias pastilhas, ela não aceitou nenhuma. Nervosa, gritou que não queria pastilhas, e sim o seu marido de volta. Depois pediu desculpas.
Saindo do enterro, havia muita panfletagem. Isso está em todo lugar. Sentou-se à sombra de uma árvore, ali no chão mesmo, para observar a cena. Tinha um lencinho xadrez no bolso, sentou-se sobre ele. Algumas pessoas tristes, outras aliviadas e a moça com os panfletos. A moça ainda conservava alguma beleza. Tinha lá os seus trinta e cinco anos e parecia-se com eles. Vestia-se, portava-se, penteava-se e olhava para as pessoas com o devido peso de uma mulher de trinta e cinco anos. Poderia ter arranjado um emprego melhor, pensava a maioria. Era coisa de fim de semana, mal sabiam eles todos. Por servir a uma causa tão pouco nobre, a mulher desaparecia aos poucos. Ninguém olhava para ela, ela não olhava para ninguém. A viúva também passou reto pela moça. E a moça, pela viúva. Não desejaram força uma à outra, nem nada parecido. Elas não sabiam de nada, afinal. Acabaram os panfletos, a moça esboçou um sorrisinho. Seria aquilo uma falta de respeito? Uma afronta?
A essa altura, ele já saía de debaixo da árvore, e a próxima parada era um atropelamento. As estatísticas apontavam a avenida da Consolação, na altura do número dois mil. Apesar de não confiar em estatísticas, lá estava ele. Foi à banca, comprou uma revista feminina usada, por dois reais, uma oportunidade. Não ligava para revistas temáticas, novas ou usadas, achava que as coisas não mudavam muito. Nem mesmo as notícias. Sentou-se perto de um sinal bastante movimentado. Abria. Fechava. Abria. Fechava. Talvez não fosse aquele lugar. Aquele dia. Estatísticas...
Distraiu-se com uma reportagem sobre a menopausa. Não era interessante, mas a essa altura, distraia-se com qualquer coisa. Opa. Um barulho. Levantou-se, viu um tumulto. Deu uma olhada para o moço da banca, os dois sorriram, deram as mãos e foram juntos assistir ao que havia acontecido. Um atropelamento? Nada! Era batida e com batida ninguém se comove. Na imediata dispersão do tumulto, havia uma grávida. Acompanhou-a com os olhos e lembrou-se de que na revista haviam algumas dicas para uma gravidez mais saudável. Alimentação, exercícios físicos, massagens, oito horas de sono. A moça já devia saber, mas achou de bom tom presenteá-la com a revista. Ela sorriu e deu-lhe um beijinho. O moço da banca buscou outras revistas e deu-as à moça, que sorriu da mesma forma e deu-lhe um beijinho parecido com o primeiro.
Uma buzina do outro lado da avenida. Uma freada, um barulho. Olhou para o moço da banca e disseram juntos que só podia ser atropelamento. Despediram-se da grávida, que já tinha os olhos cheios d'água. Era hormonal, isso. Correu para ver o atropelado. Qual foi a sua surpresa ao ver que a moça da panfletagem estava no meio do tumulto e que agora ela vendia pirulitos vermelhos no sinal. Se ela fosse a atropelada, a surpresa seria menor. A vida tem dessas coisas. Se a atropelada fosse a viúva, aí sim! Aí a surpresa seria muito grande, porque a vida não tem dessas coisas, coisa nenhuma! A viúva já devia estar em casa.
E ele continuava atravessando o tumulto. As pessoas não davam lugar, resistiam como se estivessem no show de seu artista favorito. Gritou então: Licença, eu conheço! Ainda que desacreditadas, as pessoas abriram caminho. Chegando lá, no centro do palco, viu que o atropelado era um cavalo. Não havia alternativa, teve que se jogar sobre o animal e debulhar-se em lágrimas. Era um poeta, afinal. E enquanto chorava, inspirava-se. Alívio instantâneo.
23 de dez. de 2003
A face gloriosa
Quando eu tinha nove anos, ela chegou lá em casa. Nem reparei. Ela tinha vinte e poucos. Veio de São Francisco do Glória, uma remota cidade que numa tarde conheci. Filha de Eunice e Brás. Os seus irmãos eram muitos. Também os seus sobrinhos. Aprendeu muito do que minha mãe tinha a ensinar. Comigo aprendeu ortografia. E os conceitos primários de genética. Com ela, aprendi um pouco do que sou. Temos muito um do outro. Na minha biografia, ela seria inevitável. Ela tinha uma prima mal humorada, uma amiga folgada e carinhosa e uma outra, um pouco mercenária - palavras dela. Moravam na Floresta. Houve um dia em que fui lá. Houve um outro dia em que fomos à missa, na Igreja São José. Depois de assistir ao Mr. Bean. Depois de um longo impasse. Me arrumei todo. Voltamos de ônibus, à noite. Às vezes eu subia na caixa de passar roupa para vê-la, através da janela do seu quarto. Às vezes ela me buscava no colégio. Às vezes meus pais faziam cara feia para a gente. Mas os meus amigos do colégio entendiam bem. A gente descia para a garagem para andar de skate. Às vezes a gente caía. E morria de rir. Aos domingos, ela chegava a tempo de assistir Sai de Baixo comigo. Na páscoa, ela gabava-se do ovo colocante (que você pega e coloca na boca). No Natal, eu dei um duende amarelo para ela. E um rosa para a minha irmã. Depois tomei todos e guardei comigo. Ela disse que um dia me levaria para a sua casa, lá em São Francisco. Lá eu conheceria a sua mãe. E eu dizia que um dia ela conheceria a minha Vó Vina. Nunca aconteceu. Ela comprou uma casa, casou-se e teve uma filha. Tainá. Outro dia ela me pediu o CD dos Mamonas Assassinas de presente. Eu dei. Outro dia ela me devolveu algumas fitas K7 que há muito tempo eu havia dado para ela, "para ver seu eu ainda gostava, que ela tinha enjoado". Eu ainda gostava. A gente se encontra de vez em quando. E às vezes parece que não é mais a mesma coisa. Mas é.
- Reis!
- O quê?
- O capeta que te fez!
- Reis!
- O quê?
- O capeta te fez outra vez!
2 de dez. de 2003
Iminência
Na folha em branco que recebe diariamente, resolveu não escrever nada. Resolveu que aquele dia deveria passar mesmo em branco. Deveria entrar para a (sua) história como o dia do seu esquecimento. Um dia para não se lembrar, apenas porque nele nada aconteceria.
Levantou-se sem fazer barulho e, enquanto levantava-se, arrumou a cama. Numa coreografia de lençóis, cobertores e almofadas se organizando. Calçou meias grossas, vestiu uma camisa sem estampa e caminhou cuidadosamente até a porta. Abriu uma fresta. Certificou-se de que estava sozinho. Não estava, havia alguém na suíte. Tomando banho. Cantando alto. De porta aberta. Roupas no chão trilhavam o caminho até o chuveiro.
Seguiria o caminho rumo à cozinha. As meias grossas escorregavam um pouco no chão encerado e mantinham o ambiente plenamente nulo. Suspense. Iminência. Cautelosamente até a geladeira. Em cima dela, pães franceses e um pote de geléia. Para aquele dia, estava bom. Numa prateleira, uma garrafa de suco. Um copo limpo sobre o escorredor de pratos. Estava quase seco. Pães, geléia, suco e copo preparados. De volta à cama. A cantoria continuava na suíte. Fechou a porta com cuidado e rigidez. Antes recolheu duas peças que compunham o caminho no chão. Aquilo lhe agradava.
Ele também não era de ferro, assim como você. Ele também tinha suas perversões. Com quem está no quarto ao lado. Porta fechada e cama arrumada. Sentou-se sobre a cama. Comia em silêncio. As roupas de lado, numa próxima cena. Como uma homenagem. Ficou um pouco tonto e estar sentado na cama provocava-lhe vertigens. Desceu até o chão e levou consigo a garrafa de suco. Poderia ter sido naquele momento.
Guardou-se para outro dia. Deitou-se na cama. Os olhos para cima. Esperando o tempo passar. Caiu no sono. Naquele dia não roncou. Nem se mexeu enquanto dormia. Sonhou livremente, esboçou sorrisos. A respiração manteve-se regular. Acordou naturalmente, sete tempos depois. Abriu os olhos devagar, um tempo depois de acordar. Madrugada. Tudo no devido lugar. Os olhos continuavam para cima. Ajeitou a colcha enquanto levantava-se. Havia sonhado com vitórias, encontros, reencontros e desejos consumados. Resolveu visitar a avó no próximo fim de semana ocioso. E, num dia especial, ligar para seu saudoso amigo. Cairia na terça-feira. Vestiu a camisa. Decidiu cortar os cabelos na semana seguinte. Planejou uma reunião de família para contar-lhes as suas verdades.
Recolheu as roupas, guardou-as numa gaveta vazia. Recolheu os pães e a geléia. Calmamente até a porta. Abriu uma fresta. Ninguém no corredor. Os pés descalços agarravam um pouco no chão encerado. Chegou à cozinha. De volta ao topo da geladeira. Um barulho. Cheiro de shampoo. Uma voz conhecida.
- Aconteceu alguma coisa?
- Nada.
9 de ago. de 2003
Estranhamento
Estava no meio de uma das minhas excursões intergaláticas, quando minha nave apresentou problemas gravitacionais e terminou por cair em um planeta estranhamente azul. Já tinha ouvido falar desse planeta antes, além de ter estudado um pouco as invenções dos habitantes do mesmo. Mas continuando a história, apesar de ter caído em um planeta azul, a verdadeira superfície em que caí era verde. Estranhamente verde. E estranhamente desabitada. Seria uma área ainda desconhecida pelos habitantes? Pensava que sim, até ver alguns indivíduos moverem-se lentamente em um grupo bastante numeroso para uma determinada direção. Me aproximei sem que eles percebessem. E tratei de tornar a minha nave invisível, para evitar grandes tumultos.
Observei então que os indivíduos pararam e passei a reparar em suas faces. Todos eram extremamente expressivos. Segundo o que eu havia estudado, todos expressavam tristeza. Nunca entendi muito bem, mas diziam em meu planeta que a tristeza é um sentimento - e um sofrimento. Percebi também que quatro daqueles indivíduos carregavam um grande recipiente. Aprendi em meu planeta que os indivíduos que habitavam o planeta azul eram muito apegados aos seus bens. Talvez estivessem se desfazendo de algum bem. Mas não sei porque sentiam tanta tristeza, porque em pouco tempo poderiam adquirir outro bem daqueles. Ou substitui-lo por outro bem de melhor qualidade e maior utilidade. Decidi continuar observando-os. E constatei uma importante evolução daqueles indivíduos: como nós, eles já se vestiam da mesma forma. Os mesmos pararam de se preocupar com moda e estética.
Mas enquanto eu reparava nos costumes daqueles indivíduos, percebi que o recipiente desapareceu. E observei que as faces tornaram-se ainda mais cheias de tristeza. Alguns indivíduos partiram, então. Três ou quatro permaneceram, ainda estavam cheios de tristeza. Os que partiram tinham outro sentimento nas faces. Se não me engano, era o que se chama de alívio. Aquilo que meus antepassados sentiam - sim, um dia já sentimos mesmo em nosso planeta - quando completavam suas missões intergaláticas. Foi o que quase senti naquela hora, se eu soubesse o que é sentir. Eu percebia que tinha presenciado um raro momento. Havia aprendido em meu planeta que os indivíduos do planeta azul se sentiam tristes com a alegria dos outros e sentiam alegria com a tristeza dos outros. Naquele momento, todos estavam tristes. Era realmente um momento especial para eles.
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