20 de dez de 2012

Cerco lavoro

salve, sono una ragazza rumena di 27 anni, bella presenza, cerco lavoro come cameriera/barista neii ristoranti italiani in Germania, preferibillmente al nord. ho avuto essperienza nell campo neii ristoranti in Inghillterra e Germania.

2 de set de 2012

novidade

Ingrid ficou surpresa e bem satisfeita ao conseguir uma vaga como atendente da lanchonete da rodoviária. O trabalho em si não lhe agradava muito, mas havia gostado do uniforme e das colegas de balcão. Mais do que tudo isso, o anúncio do jornal pedia "boa aparência" - coisa que, até então, ela estava certa de que não tinha.

1 de set de 2012

De mudança

Cátia estava de mudança para o Rio de Janeiro, deixando em sua cidade um namoro que já vingava há quatro anos. Não tinha sido fácil convencer o rapaz de que as coisas poderiam se ajeitar à distância - ela mesmo custava a acreditar. Na noite da despedida, os dois foram juntos até a rodoviária. Entre silêncios e lágrimas escondidas no banheiro, dividiram três cervejas e uma porção de fritas enquanto esperavam o horário de partida do ônibus.

20 de mai de 2012

10 de mai de 2012

Lindonésia

Mil miradas para se ver Lindonésia, com seus telhados, castelos, janelas e pessoas cerradas. Para que os gratos turistas imaginem o que foi um dia e nem de longe hoje é. Cuba mediterrânea, aprisionada em pesados passados, expostos como flores sem brilho. História de inquestionáveis equívocos, permanentes esperanças que, talvez, agora, se convertam em algo difícil de dizer. Por isso os murmúrios, as queixas ao telefone, entre todos os funcionários das lojas, que já não sabem se gostam ou detestam os turistas, prometidos salvadores e inquestionáveis testemunhas de uma angústia que os muros e os rostos da cidade não cessam de alardear.

9 de mai de 2012

Belina

Com alguns milhões de habitantes, Belina conservava o ar puro e um certo aspecto de cidade pequena, com passarinhos sempre prontos a abrir o bico. Maltrapilha se sustentava, sem muitos bancos, escritórios, indústrias e habitantes engravatados. Os demais levavam sempre suas bicicletas para passear à orla de algum rio ou canal, travando com os embriagados pedestres uma desapressada coreografia. Presente em diversos aspectos da sua marcante figura, a essência de Belina podia se organizar em uma simples frase: ninguém estava ali atrás dos cifrões que movem o resto do mundo.

22 de nov de 2011

Todos somos


Todos nós brasileiros somos carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós brasileiros somos por igual a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugam para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos, e a gente insensível e brutal que também somos.

Darcy Ribeiro

3 de mai de 2011

Arde


Manoel já havia sido um cara apaixonado, ainda que isso, hoje, fosse um pouco difícil de se acreditar. Acontece que o amor havia acabado, e ele, sem perceber, havia pintado na parede de casa um retrato colorido e bonito daquilo tudo. Por um fenômeno difícil de se explicar, o retrato havia entranhado nas paredes, de um jeito que não adiantava raspar ou retintar - a imagem sempre aparecia de novo. Uma vez cavou a parede, e o que viu foi um retrato ainda mais nítido do velho amor. Cavou, então, mais um pouco, e acabou fazendo um buraco na própria casa. E sempre que a noite esfriava, a casa ardia um pouco mais.

5 de abr de 2011

Esperança


Julieta esperava do mundo uma sinceridade clara e simples, tal qual ela pretendia oferecer-lhe. Viu, mais tarde, que não era bem assim. Primeiro ficou um pouco confusa. Depois ajustou um pouco a sua forma de receber e dar-se. Aí ficou tudo bem.

1 de abr de 2011

O próximo passo


Benjamin estava só. Já não podia se distrair com a morte tão bem disfarçada de vida. De qualquer lado que o viam, havia uma vida escondida. Gostaria de encurtar distâncias, de aproximar-se ainda mais daqueles que melhor o conheciam e que mais torciam por ele. A vida por detrás dos véus já não fazia mais sentido. A solidão, sempre ela, indicava que era hora do próximo passo.

3 de jun de 2010

Banho de sol


Felipe tinha alugado uma casa com quintal porque gostava muito de sol. Só que trabalhava demais e o emprego era longe de casa. Por isso saía antes do alvorecer e só chegava quando já era noite. Mas toda quarta-feira ele acordava ainda mais cedo. Em plena madrugada, sempre antes do banho, ele arrastava sofá, mesa, cadeiras, cama e criado-mudo até o quintal. Sentia-se mais tranquilo ao lembrar que, enquanto enfrentava o ar-condicionado da empresa, os móveis da casa desfrutavam um belo banho de sol.

19 de mai de 2010

27 de abr de 2010

Direitos humanos


As crianças têm todo o direito de brincar, enquanto os adultos têm todo o direito de repousar.

Robert Auzelle

10 de fev de 2010

6 de jan de 2010

Na minha casa


Marina tinha a estranha mania de juntar cacarecos, pequenos presentes, ingressos de shows, cartas antigas, bilhetes e pertences daqueles que não pertenciam mais à sua vida. Guardava tudo isso em uma caixinha, na mesma caixinha desde adolescente. A caixinha ela guardava dentro do armário. Sempre que o amor vinha ela torcia pra chegar ao ponto de mostrar as coisas todas, mas até hoje não tinha mostrado pra ninguém. Nos dias tristes pensava que aquela caixinha poderia ficar com alguém da família, então. Mas na casa dela ninguém era romântico em relação à vida, só ela.

5 de jan de 2010

No calcanhar


Sérgio nunca tinha soltado um foguete na vida e, todos sabiam, não tinha a menor habilidade com as mãos. Mas aquele dia não podia passar em branco: era uma ocasião realmente especial. Ao ser informado da notícia, o rapaz não pensou duas vezes e soltou o foguete ali mesmo, no meio da multidão. O que ele não esperava era que o foguete escapasse da sua mão e voasse na mira dos belos cabelos da moça que estava logo a frente. De início ele achou graça, mas ao ver o rosto da moça acabou sentindo compaixão. Havia queimado a única coisa que a vítima tinha de bonito.

30 de dez de 2009

Papel de parede


Rafael decidiu forrar uma das paredes do quarto com suas fotos de criança. Sempre que a coisa apertava, gastava alguns minutos olhando para aquelas imagens, em busca de alguma coisa em si mesmo que parecia ter se perdido com o tempo. Naqueles olhos de criança conseguia esquecer-se um pouco do cansaço da vida, dos dias arrastados e da falta de sentido que vez ou outra aparecia à sua porta.

10 de dez de 2009

Pra ver o mar


Camila não entendia para que serviam as grades que atravessavam a janela do seu quarto. Sempre que tinha um tempinho se entortava toda para conseguir enxergar o mar, lá no fundo da paisagem, entre uma grade e outra. Não foram raras as vezes em que seus pais precisaram remover sua cabeça, com todo cuidado, de algum dos pequenos espaços que havia entre as barras. Também não foram poucas as broncas, os arranhões e os roxos conquistados ao longo desses episódios. Sabia que os outros não aprovavam o seu apreço pelo espaço entre as grades e por isso tinha o hábito de acordar uma hora mais cedo do que o resto da família. Era com os olhos no mar que ela passava - sempre, só e em segredo - a primeira hora dos seus dias.